Porquê a Holanda?
Tenho de ser honesto: não foi a minha primeira escolha. Queria ficar mais perto de casa, em Portugal ou em Espanha. Mas o trabalho ali — para o meu diploma — eram 950 euros líquidos em Aveiro ou Setúbal. Na Roménia ganhava 1.700, mas significava 12 horas por dia, seis dias por semana, e seis semanas sem a mulher e as miúdas. Três vezes por ano três dias em casa. Quando a minha mais nova em 2023 fez quatro anos e já não sabia quem eu era — sim, foi esse o momento. O meu cunhado já trabalhava há um ano na Holanda e disse: "é diferente aqui, outro mundo." Então fui ver.
Como encontrou a FlexHero?
Google. Literalmente: "trabalho soldador Holanda." Apareceram dez agências. Mandei e-mail a três. Duas responderam em mau português com um formulário. A FlexHero respondeu na mesma tarde, em português a sério, e a senhora — Filipa — perguntou se podia telefonar. Falámos quarenta minutos. Fez perguntas sobre os meus certificados, sobre os cordões a que estava habituado, sobre o comando da instalação. Não me vendeu nada. "Temos dois projectos em que podia começar amanhã, e um que talvez encaixe melhor consigo — menos horas mas mais perto de Portugal em termos de viagem. O que prefere?" Sem conversa de vendedor. Uma conversa.
O que o surpreendeu positivamente?
O alojamento. A sério. Na Roménia vivia com seis homens em dois quartos — dois beliches e ninguém dormia bem. Em Eindhoven entrei num apartamento em Veldhoven com um colega. Quarto só meu. Chave só minha. Chave só minha — escrevo duas vezes porque na Roménia isso nunca aconteceu. E na fábrica: na TUS chamam-me pelo nome. Na minha empresa anterior era o número 247. O meu chefe de turno — Ton chama-se — perguntou-me ao fim de três semanas como estavam as miúdas e como eu me chamava. Não as duas coisas ao mesmo tempo, mas em duas conversas. Coisas dessas a gente lembra-se.
O que foi difícil?
A língua. Pensei: "inglês chega." Não chega. Não na fábrica com colegas e seguramente não no médico de família ou no banco. A FlexHero oferece aulas de holandês — duas horas por semana, à quinta à noite, de graça. No primeiro mês achei tempo perdido. Hoje, ao fim de 14 meses, peço o café em holandês e entendo 70% do que diz o meu chefe. O outro difícil: o tempo em Janeiro. Não fazia ideia. Escuro às quatro da tarde, chuva a cair de lado. Habituamo-nos, mas não depressa.
Como é o contacto com a família?
Mudou, para melhor. Voo de quatro em quatro semanas para casa — Ryanair de Eindhoven, hora e meia, sexta às 20:00 aterro no Porto. A FlexHero paga dois voos por ano, os outros pago eu — sai-me a uns 90 euros ida e volta se marcar a tempo. A minha mulher e as miúdas vêm cá uma vez por ano, no Verão. Este ano fizemos uma semana em Texel. Na minha época na Roménia não dava — nem dinheiro nem dias.
Quanto ganha agora, e vai dinheiro para casa?
Nunca tive segredos com números: entre 2.450 e 2.700 líquidos por mês conforme as horas extras. O alojamento é descontado à parte — 110 euros por semana pelo meu quarto. Comida e transporte uns 350 por mês. Mando uns 1.500 para casa, o resto poupo e ainda tenho algum dinheiro de bolso. Em Constanța sobrava-me 200 por mês para poupar. Isto é outra vida.
Planos para o futuro?
Mais dois anos. Talvez três. Depois quero voltar a Portugal e abrir uma pequena oficina — serralharia para particulares e quintas. O meu primo já tem terreno em Penafiel. A FlexHero Academy ofereceu-me este ano um curso de TIG, estou nesse momento. É exactamente o que preciso para o que quero fazer depois. Em Eindhoven não só ganho dinheiro, também aprendo. Não esperava isso.
O que diria a alguém que agora hesita em vir?
Três coisas. Uma: escolha uma agência que lhe ligue na sua língua, não só mande e-mails. Duas: peça a alguém do seu país para lhe contar a experiência antes de assinar. E três: venha com um plano para o que vai fazer a seguir, não com a ideia de ficar cá para sempre. Aí vê isto como um passo intermédio e fica mais feliz.
